Por que criamos deuses? E, depois de criá-los, por que aceitamos que eles nos governem? Esta não é uma questão teológica, mas o cerne de um problema político radical. Dois pensadores, aparentemente distantes, nos dão as chaves para uma resposta devastadora: a religião é uma tecnologia de poder que administra nossos desejos e nosso medo para nos manter obedientes.
O alemão Ludwig Feuerbach e o francês Georges Bataille nunca se encontraram, mas suas ideias, em diálogo, revelam os mecanismos profundos de como nos alienamos — e como podemos nos reapropriar de nós mesmos.
Publicado em 10/09/2025
Um texto curto, escrito há quase 150 anos, continua a ser um dos pilares da crítica marxista ao anarquismo e uma justificativa para as estruturas autoritárias que viriam a definir o "socialismo realmente existente". "Sobre a Autoridade", de Friedrich Engels, é um texto astuto, mas fundamentalmente falho, que confunde coordenação com autoridade e, ao fazê-lo, abre as portas para a perpetuação da dominação, mesmo sob uma suposta bandeira socialista. Como anarquistas, não nos calamos perante essa confusão. É hora de desmontar seus argumentos e reafirmar nossa visão de uma sociedade livre.
Publicado em 07/09/2025
Um mapa conceitual do pensamento e da práxis de Malatesta, oferecendo critérios estratégicos para uma esquerda antiautoritária contemporânea.
Publicado em 02/09/2025
Esta obra, escrita sob as sombras da Segunda Guerra Mundial e do horror nazifascista, é um dos ataques mais ferinos e densos contra a racionalidade dominante que já foram produzidos no século XX.
Publicado em 01/08/2025
“Mas o povo votou!” — é o argumento repetido como mantra sempre que alguém ousa questionar o sistema político. No entanto, a pergunta central permanece: votar é exercer poder real?
Publicado em 30/07/2025
"Se não formos nós a nos reconectar com a Terra, o capitalismo o fará com concreto."
Publicado em 18/05/2025
Carl Gustav Jung é, sem dúvida, uma das figuras mais intrigantes da psicologia moderna. Seu trabalho atravessa o inconsciente coletivo, os arquétipos, o processo de individuação, e influencia não apenas a clínica, mas também a arte, a religião e a cultura popular. Mas me pergunto: à luz de uma perspectiva libertária, o que se esconde nas entrelinhas da obra de Jung?
Publicado em 28/04/2025
A ideologia — nesse léxico específico — não é uma simples coleção de ideias ou um sistema neutro de crenças. Ela é um aparato, um dispositivo de dominação simbólica e material. Uma máquina engenhosa criada para garantir que o explorado não apenas aceite sua exploração, mas a defenda como se fosse parte da ordem natural das coisas. É, nesse sentido, o ferramental da burguesia para mascarar a realidade da luta de classes.
Publicado em 20/04/2025
O debate parece inofensivo:
"Dói mais ser traído por alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto?"
Mas por trás dessa pergunta aparentemente banal, esconde-se uma estrutura carcomida: a lógica da propriedade privada aplicada aos corpos femininos.
Quando um homem diz que seria "pior" se sua companheira o traísse com outro homem, ele não está falando de amor, nem de dor afetiva genuína. Está falando de perda de controle sobre um corpo que acreditava possuir. É sobre posse ferida, não sobre coração partido.
Publicado em 13/04/2025
“Certo. Então todo mundo odeia trabalho.”
Com essa frase direta, a pensadora Neala Schleuning abre seu texto “A Abolição do Trabalho e Outros Mitos” com um diagnóstico brutalmente honesto. A aversão ao trabalho parece ser um traço quase universal. Sonhamos com um futuro livre de obrigações, um mundo em que máquinas realizem todo o esforço e possamos viver no ócio — o eterno sonho do gafanhoto libertado da disciplina da formiga.
Mas Schleuning nos convida a olhar para esse desejo com desconfiança. E se essa fantasia de “libertação pelo ócio” for, na verdade, uma armadilha? E se o verdadeiro caminho para a liberdade não estiver na abolição do trabalho, mas em sua transformação radical — na retomada de seu sentido humano, comunitário e criativo?
O que ela propõe é uma virada de perspectiva: não fugir do trabalho, mas recuperar o controle sobre ele. Este ensaio explora as ideias mais provocativas de Schleuning, articulando-as em torno de uma distinção crucial — a diferença entre a labuta e o bom trabalho. A partir dessa chave, compreenderemos por que o problema não é o esforço em si, mas o sistema que o esvazia de sentido.
Publicado em 28/01/2025