O capitalismo não é apenas um sistema econômico. É uma máquina de moer corpos e forjar subjetividades doentes. Exaustão e ansiedade não são desvios – são efeitos colaterais estruturais de uma lógica que exige rendimento infinito, produtividade sem limites e autoexploração disfarçada de liberdade.
Vivemos sob um regime onde o poder não mais proíbe – exige. Não mais castiga – motiva. A frase “Yes, we can!”, que antes carregava promessas de emancipação, virou um imperativo cruel: se você não consegue, a culpa é sua.
O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, em Sociedade do Cansaço, nos mostra que deixamos para trás a sociedade da disciplina – do “não pode!” – e entramos na era da positividade, onde nasce o sujeito de desempenho: alguém que não é mais dominado por outro, mas por si mesmo. Somos ao mesmo tempo o chefe e o capataz, o explorador e o explorado. E quando colapsamos, quando não damos conta, ainda nos culpamos por isso. A isso, Han chama de violência neuronal – uma forma de violência que não vem de fora, mas brota de dentro de nós mesmos.
Publicado em 14/11/2015
O fascismo nunca desapareceu – ele apenas trocou as botas por ternos bem cortados. No capítulo 3 de Antifa: O Manual Antifascista, o historiador Mark Bray analisa como a extrema-direita se adaptou aos tempos modernos, abandonando o estereótipo do skinhead violento e assumindo uma postura mais "respeitável". Agora, os fascistas não marcham apenas nas ruas – eles ocupam cadeiras no parlamento, manipulam a mídia e espalham sua ideologia através de intelectuais e influenciadores.
Mas se o fascismo mudou de tática, o antifascismo também precisou evoluir. O que antes era um enfrentamento direto contra gangues neonazistas agora se tornou uma luta contra partidos políticos, think tanks e figuras públicas que, sob o disfarce de conservadorismo e nacionalismo, promovem o mesmo discurso de ódio, racismo e autoritarismo.
Publicado em 20/05/2015
A ideia de que um local de trabalho precisa de um chefe para funcionar é um mito profundamente enraizado na sociedade capitalista. Mas será que realmente precisamos de uma estrutura hierárquica para que as coisas sejam feitas? A resposta do anarquismo é um enfático "não". Em vez disso, propomos um modelo de democracia no local de trabalho, onde as decisões são tomadas coletivamente pelos próprios trabalhadores. Vamos entender como isso funciona na prática.
Publicado em 31/10/2014
Vivemos em uma sociedade que nos ensina, desde cedo, que ser homem significa ser forte, inabalável, impenetrável. A masculinidade é vendida como um pacote fechado, onde não há espaço para fraqueza, para vulnerabilidade, para algo que se aproxime daquilo que nos torna humanos. E o resultado disso? Homens solitários, incapazes de construir laços verdadeiros, aprisionados em suas próprias muralhas emocionais.
Sim, existem exceções. Existem companheiros que desafiam essa norma, que sabem o que é intimidade, que constroem relações de camaradagem e afeto. Mas sejamos realistas: a amizade entre homens, da forma como deveria ser – genuína, profunda, baseada na partilha de dores e sonhos –, é um fenômeno raro. Para cada homem que pode dizer que tem um verdadeiro amigo, há pelo menos oito que, no fundo, sabem que não têm.
Isso não é um fracasso individual. Não é sobre um ou outro ser menos capaz de se conectar. É um sintoma de algo maior, um reflexo direto de um conflito estrutural: o que a sociedade exige que um homem seja está em contradição com o que é necessário para cultivar uma amizade autêntica.
Publicado em 14/09/2014
O conceito de capital é um dos pilares centrais da obra de Karl Marx, especialmente em O Capital. No entanto, ele é frequentemente mal compreendido ou reduzido a ideias simplistas, como "capital é dinheiro" ou "capital são máquinas e prédios". Neste texto, vamos explorar o que Marx realmente entende por capital, utilizando trechos do Capítulo 4 de O Capital, onde ele discute a forma geral do capital e o processo de valorização do valor.
Publicado em 29/07/2014
O eu está sempre em guerra consigo mesmo. Essa é a condição fundamental da existência humana: o conflito interno, a tensão entre desejo e repressão, entre impulso e ideal, entre aquilo que queremos e aquilo que nos é imposto. A ideia de um eu unificado, coerente, que caminha sempre ao lado de si mesmo, não passa de uma ficção conveniente, uma ilusão imposta pelo discurso dominante.
Publicado em 03/07/2013
Falar de anarquismo sempre causa um certo impacto. Para muita gente, a ideia de uma sociedade sem governo soa como caos absoluto, mas isso só acontece porque fomos condicionados a pensar que a única forma de organização possível é aquela baseada em hierarquias rígidas e instituições centralizadoras. No entanto, a história e a teoria anarquista mostram que existe outro caminho.
Publicado em 01/06/2013
A abolição do dinheiro. Por que precisamos dele? Por que não precisamos? Como ele funciona e como poderíamos construir uma sociedade funcional sem ele? Vamos desconstruir essa ideia e explorar como uma economia baseada na partilha e no apoio mútuo pode ser não apenas viável, mas também libertadora.
Publicado em 09/02/2013
Quem somos nós? A identidade que carregamos é real ou apenas uma construção imposta pelo mundo? O psicanalista Jacques Lacan, influenciado por Freud, trouxe em 1936 uma teoria que desafia a ideia de um "eu" unificado e autêntico. Para ele, a identidade que acreditamos ter é uma ilusão—um reflexo que esconde nossa verdadeira subjetividade.
Publicado em 08/12/2012