A armadilha do identitarismo e o avanço do fascismo: uma reflexão necessária

Vivemos tempos confusos, em que a política parece cada vez mais um jogo de espelhos onde a direita distorce a realidade para criar inimigos imaginários e justificar seu avanço. No meio dessa guerra ideológica, muitas pessoas, mesmo aquelas que não compactuam com a extrema direita, acabam comprando a narrativa de que as pautas progressistas e identitárias estão "destruindo a sociedade". Mas de onde vem essa ideia?

Publicado em 08/04/2018

Meios e Fins: A Crítica Anarquista à Tomada do Poder Estatal

A crítica anarquista à tomada do poder estatal é frequentemente caricaturada como uma oposição moral abstrata ao Estado, ignorando as realidades concretas do mundo em que vivemos. No entanto, uma leitura atenta dos clássicos anarquistas revela que sua oposição à tomada do poder estatal era baseada em razões profundamente pragmáticas: o Estado é um meio impróprio para alcançar os objetivos revolucionários.

Publicado em 28/01/2018

A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado: Uma Leitura Anarquista

Friedrich Engels escreveu A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado baseado nas notas de Karl Marx sobre os estudos antropológicos de Lewis H. Morgan. O livro traça a evolução histórica das estruturas familiares, o surgimento da propriedade privada e a consolidação do Estado como aparato de dominação de classe. Para os anarquistas, essa obra é fundamental — não por acaso, pensadores como Piotr Kropotkin e Mikhail Bakunin já haviam chegado a conclusões semelhantes sobre a natureza coercitiva do Estado e da propriedade.

Publicado em 03/01/2017

Corrupção não é o problema

A discussão sobre os problemas estruturais da sociedade costuma esbarrar sempre na mesma resposta clichê: "o problema é a corrupção". Esse argumento, repetido à exaustão por liberais, conservadores e até mesmo por setores da esquerda autoritária, nos leva à ilusão de que tudo poderia ser resolvido apenas se "as pessoas certas" chegassem ao poder. Esse raciocínio tem um nome: "a teoria do grande homem", a crença de que basta um líder virtuoso para guiar a sociedade para um futuro melhor. Mas a realidade nos mostra outra coisa.

Liberais argumentam que precisamos apenas de normas sociais mais progressistas e de políticos que representem essas pautas. Conservadores dizem que a decadência moral e o afastamento de valores tradicionais são o verdadeiro problema. A esquerda autoritária afirma que um partido de vanguarda ideologicamente puro é necessário para guiar o proletariado sem desvios revisionistas. Apesar das diferenças de abordagem, todos esses grupos partem da mesma premissa: o sistema é funcional, só precisamos das "pessoas certas" para ocupá-lo.

Publicado em 23/12/2016

A Paralisia da Ação: Como o Capitalismo Coloniza o Corpo, a Emoção e a Vontade

Há algo de profundamente doente em nossa relação com o tempo, com o desejo e com a própria ação. Vivemos numa era em que quase todos sabem o que fazer; mas poucos conseguem, de fato, fazer. Não se trata de mera preguiça, como adoram repetir os gurus da produtividade e os gestores da moral neoliberal. O que chamamos de “procrastinação”, “falta de foco” ou “indisciplina” é, na verdade, um sintoma político e psicológico de um mundo que sequestrou nossa energia vital, transformando-a em engrenagem para o lucro.

O capitalismo não apenas explora o nosso trabalho; ele captura também a nossa capacidade de agir. Nos treina para desejar, mas não para mover. Para planejar, mas não para transformar. Para pensar em liberdade, mas agir em conformidade. A paralisia da ação é, portanto, o espelho íntimo de uma sociedade paralisada por dentro. Uma sociedade em que a vida foi reduzida a desempenho, e o corpo, a máquina de produtividade.

Publicado em 28/06/2016

A Propaganda pelo Ato: Quando Ações Falam Mais que Palavras

O capitalismo nos ensinou a acreditar que mudança só vem por vias "civilizadas": voto, protesto pacífico, petição online. Mas e quando o sistema é tão podre que palavras não bastam? É aí que entra a Propaganda pelo Ato – a ideia de que ações diretas, muitas vezes radicais, podem incendiar a consciência coletiva e abrir caminho para a revolução.

Publicado em 21/04/2016

A Navalha de Occam: Um Corte Contra a Complexidade Desnecessária

No pensamento libertário e anarquista, desfazer-se de dogmas e estruturas opressivas é essencial. Guilherme de Occam, filósofo e teólogo do século XIV, trouxe uma ferramenta filosófica que se mantém atual: a Navalha de Occam, princípio que afirma que as entidades não devem ser multiplicadas além da necessidade. Em outras palavras, entre duas explicações igualmente eficazes, a mais simples deve ser preferida.

Publicado em 26/12/2015

A Ilusão do Sufrágio Universal: Uma Crítica Anarquista por Mikhail Bakunin

No início do século XIX, Mikhail Bakunin, um dos pensadores mais radicais e provocadores do anarquismo, já alertava sobre as promessas não cumpridas da democracia representativa e do sufrágio universal. Em seu texto A Ilusão do Sufrágio Universal, Bakunin desmonta a ideia de que o voto e a participação em eleições são capazes de garantir a liberdade e a justiça social. Para ele, o sufrágio universal é uma ilusão que, longe de emancipar o povo, acaba por reforçar as estruturas de dominação e opressão.

Publicado em 30/10/2015

Anarquismo à Moda Antiga: Uma Defesa da Liberdade e da Igualdade por Edgar Rodrigues

O anarquismo, muitas vezes mal compreendido e distorcido, é frequentemente associado ao caos, à desordem e à violência. No entanto, como Edgar Rodrigues destaca em seu texto Anarquismo à Moda Antiga, essa visão é fruto de uma profunda ignorância e de uma campanha de desinformação que busca descredibilizar uma das filosofias mais humanistas e igualitárias já concebidas. O anarquismo não é uma utopia ingênua, nem uma catástrofe iminente; é uma proposta concreta de organização social baseada na liberdade, na solidariedade e na igualdade.

Publicado em 05/09/2015